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Desde os primórdios do cristianismo, a Igreja preservou e incentivou a música sacra, pois a considera como expressão da beleza divina. A fé inspirou e continua inspirando diversos músicos que procuram exprimi-la através de seu gênio criador. Para que a arte contribua com a liturgia, a Igreja solicita que se incentive produção musical. O documento da Igreja chamado Musicam Sacram diz: “Exista e seja promovido um coro ou capela musical ou Schola Cantorum, especialmente nas catedrais e outras igrejas maiores, nos seminários e estudantados religiosos.”1
O Seminário Arquidiocesano de São José do Rio de Janeiro foi fundado em 5 de setembro 1739, pelo Excelentíssimo Bispo Dom Antonio de Guadalupe. Ele, ao assumir a diocese e conhecer sua extensão, que na época ia da Bahia ao Rio da Prata e do Oceano até as fronteiras com as colônias espanholas, viu a necessidade de fundar um seminário nos moldes solicitados pelo Concílio de Trento, para atender a demanda de tão grande diocese.
Em 1924, no período da reabertura do Seminário São José, realizada pelo Cardeal Dom Sebastião Leme, que se situa propriamente o início da Schola Cantorum. No Natal do ano da reabertura do seminário, o Cônego Francisco Freire fez executar um repertório natalino pelos seminaristas, marcando o início da Schola Cantorum do Seminário Arquidiocesano de São José. Na década de 30, sob a regência do Padre Célio de Almeida, a Schola Cantorum foi acompanhada de uma orquestra, também formada por seminaristas. Em 1943, Monsenhor João Batista Motta, músico por formação, assume a reitoria do seminário e se dedica ele mesmo a regência do coral. Incentivou sobretudo as vocações musicais dentro do seminário. Dentre alguns frutos de seu empenho, podemos citar: Padre José Alves, Maestro René Brigenti, Monsenhor Amaro Cavalcante e o Maestro Armando Prazeres, fundador da Orquestra Petrobrás Sinfônica. Foi o período mais fértil do coral. Na década de 60, com a má interpretação do Concílio Vaticano II, a formação de canto coral no seminário, como em muitas igrejas pelo mundo, sobretudo no Brasil, foi deixada de lado e a Schola Cantorum teve suas atividade temporariamente suspensas.
Somente em 1991, um grupo de alunos, apoiados pelos padres formadores retomou o estudo de canto coral, através da contratação de um novo regente, o Maestro Adeiton Bairral. Dentre os pontos altos desse período, destacamos a participação de encontros nacionais de corais em Paraty e em São Lourenço.
Em 1997, a Schola Cantorum gravou seu primeiro CD, Soli Deo Gloria, com um repertório sacro a capella. Também neste ano apresentou-se para sua Santidade, o Servo de Deus Papa João Paulo II por ocasião de sua visita ao Rio de Janeiro. Em 2001 participou do projeto Candelária, comemorando 10 anos da retomada das atividades do coral.
Em 2004, foi contratado como regente o maestro Antonio Pedro de Almeida, professor da Escola de Música da UFRJ. Sob sua regência, a Schola Cantorum cantou a missa do Jubileu de Ouro episcopal do Eminentíssimo Senhor Cardeal Dom Eugenio de Araújo Sales e no Jubileu de Prata episcopal do Eminentíssimo Senhor Cardeal Dom Eusébio Oscar Scheid.
O repertório da Schola Cantorum caracteriza-se pelo canto sacro, incluindo o gregoriano e a polifonia. Mestres como Palestrina, Mozart, Claudio Casciolini, fazem parte do repertório do coral. Atualmente o coral faz um trabalho de valorização da obra de Monsenhor Lorenzo Perosi. Este talentoso músico italiano foi mestre da Capela Sistina e tinha a proteção e estima do Papa São Pio X. Seu estilo é inconfundível, poderíamos dizer até mesmo eclético, com traços de verismo, construções barrocas e inspiração gregoriana. Sua obra é marcada por uma espontânea leveza melódica que até hoje inspira diversos compositores cristãos. Do repertório de Perosi o coral ressalta a Missa Te Deum Laudamus, Ave-Maria, O Sacrum Convivium e para este ano prepara a Missa Pontifical.
(1) Musicam Sacram, n.19
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